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Quando se precisa de sal, não adianta ter açúcar! O Aikido e EU

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Gustavo Nogueira Santos
Tiago Vieira

Em 1992, viajei com minha família para o Rio de Janeiro. Lá, um parente de nossos conhecidos ao ver-me agitando um “cabo de vassoura”, como se estivesse lutando com o ar, chamou-me e mostrou uns movimentos de luta com bastão. Mas, como eu tinha pouca idade, achei os movimentos retos e monótonos demais.

Perguntei a ele o que era, ao qual ele respondeu: Aikido. Então questionei, sem empolgação, o que era Aikido e ele disse que era uma luta onde eu poderia tornar coisas simples em armas letais (acredito que ele tenha se expressado desta forma por não me ver muito empolgado com a arte).

Uau!!! Fiquei muito animado! Com uns 12 anos de idade e fã dos filmes de lutas eu acreditava que era fantástico.

Ao voltarmos para Goiânia, retomei os estudos e nem me lembrava das férias que tive, cheguei até a ver uma academia que anunciava aulas de Aikido, mas não fui me informar.

Até que um amigo me entregou um “Vale aula” do dojo onde ele praticava Caratê, e, por coincidência, era da academia que vi anunciado o Aikido. Lá iniciei os treinos em 1993. Todos éramos iniciantes e o instrutor também tinha pouco tempo de treino da arte, (apesar de anos de ensino de Caratê) que adquiriu indo a São Paulo aos finais de semana até ser encaminhado para um Mestre que morava mais próximo.

O tatame era improvisado, feito de placas de borracha dura que cobriam um tatame de madeira, e nosso mestre vinha em alguns sábados, ensinava as técnicas e repetíamos as mesmas as terças e quintas com o professor que era dono da academia. Como o mestre ficava em outro Estado, viajávamos de madrugada para os exames e treinos em Brasília. Até que o grupo foi crescendo e conquistando seu espaço, a ponto de realizar os exames e treinos por aqui também.

Todo início é difícil, mas fiz fortes e verdadeiras amizades nestes anos de prática e ensino, além da grande honra de conhecer e treinar com verdadeiros mestres. Agradeço imensamente a todos por tudo. Vi nos professores de Aikido pessoas inteiramente devotadas à perpetuação da arte e com a preocupação de uma vida mais digna aos praticantes.

Entrei na arte buscando “armas letais” e consegui aprender que a verdadeira essência da arte é nunca ter que destruir, mas sim construir. Sempre via o Aikido como se fosse Harmonia em Movimento, mas hoje entendo e pratico o Aikido como o Movimento pela Harmonia, uma busca por um mundo melhor, com uma sociedade melhor. Um lugar onde pessoas sejam mais honestas, honradas e justas.

Sei que parece um ideal muito distante, mas confio no Aikido como ferramenta de aperfeiçoamento dos indivíduos e no nosso poder de renovação.


Há 16 anos

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