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Aikido não é dança!!

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Gustavo Nogueira Santos

Formas de treino e de ensino

Existem diversas didáticas no formato de ensino e devemos nos fiar nas diferenças entre os praticantes. Devemos considerar em cada turma os alunos como sendo únicos e buscar a instrução customizada, específica para cada aluno.

Devemos entender a diferença entre uma instrução pedagógica (ensino para crianças) e uma instrução andragógica (para adultos). No caso pedagógico vejo como primordial o ensino dos valores marciais (honra, respeito, disciplina, camaradagem, esforço, caráter,...) com exercícios lúdicos e um ensino técnico limitando os movimentos a não apresentarem chaves nas articulações ou golpes traumatizantes.

No caso do ensino andragógico, devemos cobrar uma postura dos valores marciais dos alunos. Á que se considerar que o aprendizado fica mais fácil quando há um sentido nos movimentos e ao aplicar uma técnica devemos frisar a necessidade de tal movimento ser realizado desta forma para concretizar o conhecimento no aluno.

Para o adulto fica difícil entender o que não faz sentido, e no caso das técnicas básicas (Kihon) os instrutores devem conhecer bem algumas razões para o formato das técnicas.

Formas de ensino: (Engi; Bunkai: oyo)

Engi (do Japonês Éngi que significa exibir, apresentar, representar): Este treino tem o sentido de apresentação, demonstração (exibição da técnica) da técnica.

É o tipo de treino onde devemos nos preocupar em “mostrar” a técnica de forma bonita e firme, apresentando com clareza as chaves e nuances da técnica.

  • Bunkai (Do Japonês BunKái que significa desmontar, desfazer, separar: Esta forma consiste em quebrar (Desmontar) a técnica para que aconteça o aprendizado de forma cartesiana, (ou como diria o açougueiro) “por partes”.
  • Oyo (Do Japonês _oòyoò que significa aplicação): Esta forma consiste em um treino de aplicação da técnica (aplicação da técnica para Defesa Pessoal).

Isto quer dizer que as outras formas não funcionam?

Não, isto quer dizer que a aplicação da forma deve considerar um ambiente hostil e uma extrema necessidade de uma aplicação violenta e conclusiva (Viril).

Com a aplicação e correlação destas formas de ensino, respeitando o crescimento gradual do aluno do que é forma básica (Aplicação) e o que é aplicação (Oyo), a possibilidade de êxito na transmissão do conhecimento e formação de um budoka com proficiência nas artes marciais é maior.

Formas de treino: (Go; Ju: Ryu) 
“Treino Duro; treino Suave e fluído.”

GO (treino duro, praticado com intrepidez, valentia e virilidade).

Durante o treino duro (GO) devemos nos atentar em neutralizar a ação do uke com firmeza, e até agressividade, sem excesso. Um treino onde utilizamos larga força para neutralizar a ação do atacante e exploramos o nosso lado mais enérgico é explosivo. Vamos à busca do nosso extremo da força (o lado negro da força) para conhecemos a nossa porção de frieza e maldade.

Neste caso, uke e nage são fortes (são sólidos, são pedras, são quadrados “Tamatsume Musubi”)

Jyu (treino suave e treino fluído)

Treino suave: Durante o treino suave buscamos a integração com a força do uke (musubi = incorporar). Aproveitamos a energia que nos é passada pelo parceiro (uke) e a redirecionamos para o local desejado para neutralizar o uke. Devemos estar preparados para receber a força do uke e reutilizá-la no movimento. Um estado receptivo, mas não passivo, do contrário o uke tem a vantagem.

No treino suave vamos à busca do nosso extremo da receptividade e beleza para conhecer nosso lado benevolente e empático.

Neste caso uke é firme (Sólido, é pedra, é quadrado “Tamatsume Musubi”) e Nague é maleável e firme (é líquido, é água, é círculo “Taru Musubi”).

Treino Fluído: Durante o treino fluído buscamos a plena interação das forças (energias). uke e nage buscam a integração para a construção de uma técnica solta e livre. Neste caso ambos buscam a união (harmonia) na sua forma mais solta.

Neste caso uke e nage são livres (são gás, são triangulo “Iku Musubi”)

O treino suave (juwaza) deve ser realizado com a cooperação do uke e buscando a união das forças. Contudo é primordial frisar a necessidade da forte presença marcial no treino, relaxados, mas atentos (zanshin).

O treino suave possibilita uma rápida resposta ao estudo da liberdade da energia, do encadeamento de técnicas (henka-waza) e até contra golpes (gaeshi-waza). A mente deve estar sempre livre para aproveitar a variação das forças dadas pelo uke.
Nas palavras do fundador “Aikido wa budo de aru.” Aikido é Budô
“aiki wa odori janai” - Aikido não é uma dança.


Há 16 anos 3 meses

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