Uma nota sobre o Ki

ki kanji
KI

Os princípios, abaixo, foram retirados dos ensinamentos do Fundador e adaptados à nossa realidade. Devem ser entendidos como o modo de ser de cada um de nós, praticantes de Aikido.

Uma vez que a palavra “Aikido” quer dizer algo como “o caminho da harmonia com o KI”, é natural que muitos aikidoístas interessem-se pelo seu significado.

O conceito de KI é um dos conceitos mais difíceis da filosofia e prática do Aikido.

Etimologicamente, o ideograma KI deriva do ideograma chinês CHI. Na filosofia chinesa, originalmente, CHI era aquilo que diferenciava as coisas com vida das coisas sem vida. Com o desenvolvimento dessa filosofia, o conceito de CHI foi ampliando, cada vez mais, sua gama de significados e aplicações.

Um dos conceitos era de que o CHI seria o “material” básico do qual todas as coisas são feitas. As diferenças não seriam que algumas coisas tinham CHI e outras não, mas um princípio (LI, em japonês, RI) que determinava como o CHI estava organizado e funcionava (similar à metafísica grega de forma-matéria).

Os aikidoístas modernos importam-se mais com a questão de o KI denotar algo real e o que ele denota exatamente. Muitas foram as tentativas de demonstrar a existência objetiva do KI como um tipo de “energia” que flui dentro do corpo (especialmente ao longo de certos canais chamados “meridianos”). Até o momento, no entanto, não há registro de publicações científicas dando evidência a essas afirmações.

Isso, naturalmente, não coloca um ponto final contra a existência do KI.

Alguns aikidoístas declaram ser capazes de demonstrar a existência (objetiva) do KI através da realização de vários tipos de façanhas. Uma delas, muito popular, é o chamado “braço indobrável”.

Uma pessoa, X, estende o braço e outra, Y, tenta dobrá-lo. Primeiro X fecha a mão e contrai os músculos do braço. Geralmente, Y consegue dobrar o braço. A seguir, X relaxa o braço (que continua estendido) e “projeta o KI” (como a maioria dos principiantes não sabe exatamente a maneira de fazê-lo, aconselha-se a pensar no braço como uma mangueira de incêndio jorrando água ou numa metáfora similar). Desta feita, Y encontra muito mais dificuldade para dobrar o braço de X, se não o conseguir, a conclusão é que isso é a atuação do KI.

Existem, no entanto, explicações alternativas no escopo da Física ou da Psicologia. Nem todos os aikidoístas creem que o KI é uma espécie de “matéria” ou “energia”. Para alguns, KI é um expediente conceitual, que cobre intenções, momento, desejo e atenção.

Estender o KI é adotar uma postura positiva física e psicológica. Isto maximiza a eficiência e adaptabilidade dos movimentos, resultando em uma técnica mais potente e um sentimento de afirmação em relação a si mesmo e ao parceiro.

Independente da escolha de considerar a existência objetiva do KI como algo real ou irreal, não há dúvida que existe no Aikido algo mais que a mera manipulação do corpo de um parceiro. O Aikido requer sensibilidade a variáveis diversas como noção de tempo, momento, equilíbrio, velocidade e força de ataque e, especialmente, o estado psicológico do parceiro (ou de um atacante).

Na medida em que o Aikido não é um sistema para ganhar controle físico sobre os outros, mas um veículo para a auto-aperfeiçoamento, ou mesmo para a iluminação (Satori), não há dúvida que o cultivo de uma postura positiva física e psicológica é um ponto importante do Aikido. Novamente, pode-se, ou não, descrever o cultivo desta postura positiva em termos de KI.